Educação no Brasil: Sugestão de tema para o Enem 2019


O tema Educação no Brasil pode surgir no Enem. É um assunto delicado, porém que merece atenção e reflexão. Confira as dicas da professora Sabrina Demozzi

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E aí pessoal? Ritmo acelerado nos estudos?

Bem, a data está chegando e é importante estar antenado nos possíveis temas abordados na prova deste ano.

Além disso, não dá para deixar de fora do cronograma as problemáticas sociais atuais. Por isso, fizemos uma entrevista com a professora Sabrina Demozzi de História e Sociologia, para saber qual a sugestão dela para o Enem deste ano.

Confere abaixo o que ela nos escreveu. As dicas e apontamentos que ela faz serão muito úteis, principalmente, se este for tema de redação.

Então acompanha ai. Não perde tempo.

Educação no Brasil: formação social e cultural

Fonte imagem: pexels.com

Com certeza um dos temas que será cobrado na prova deste ano será a Educação no Brasil. Observamos que, além do assunto suscitar o debate devido às medidas do Governo Federal em promover cortes nos investimentos no Ensino Superior, o tema da educação está atrelado à formação social e cultural do Brasil, desde a Colonização.

Muito provavelmente não serão cobradas as datas referentes aos processos educacionais no país, mas sim, a análise crítica a respeito das transformações na Educação Pública, por exemplo.

É importante mencionarmos que o projeto colonizador pressupunha a reformulação da “educação”, sobretudo voltada aos indígenas, em moldes que dialogavam com a crença católica. Isso significa dizer que desde 1549, pelo menos, a educação jesuítica desconsiderava de modo geral o repertório sagrado dos povos indígenas para fazer valer a catequização, alicerçada na disciplina e retidão de comportamento.

Era bastante comum a punição e os castigos para aqueles que se mostrassem contrários a esse modelo.

É correto afirmarmos que o ensino se configura no país como marca de distinção. Isso porque o ensino das letras, por exemplo, era destinado só para os filhos de portugueses.

E em relação às mulheres? Ah, essas demoraram para conquistar os seus espaços nos bancos escolares e também na docência.

Ao revisitarmos a história vemos que a elas era destinada a leitura e o “decoreba” da Bíblia, pois a mulher virtuosa não tinha que saber mais do que isso. A historiadora Mary Del Priore conta que a “ignorância” não só era incentivada como era “mantida” de perto pelos pais das moças, já que se elas pudessem escrever, poderiam externalizar os seus sentimentos em cartas de amor para os moços apaixonados.

Contexto histórico da Educação no Brasil

Fonte imagem: pexels.com

Um dos marcos para a educação no Brasil é a chegada da Família Real em 1808. São pelo menos dois motivos que apontam para esse fato: a doação de 60 mil livros para a Biblioteca Nacional e os investimentos na área da educação com as Primeiras Escolas de Ensino Superior para formação dos filhos da nobreza e aristocracia. Além do ensino profissionalizante e cursos preparatórios para se trabalhar na Corte.

Aliás, essa é uma marca da educação no país: a formação profissionalizante que começa a ganhar forma a partir dos anos 40 com as Escolas do SENAI voltadas às pessoas mais pobres que tinham que se capacitar para aprender uma profissão e somar ao “desenvolvimento” no país, em fase de planejamento e ascensão.

Bem, se eu puder mencionar algum tema que pode cair na prova este ano, arrisco a questão do analfabetismo funcional e os desafios relacionados à educação básica. Dê uma olhada em alguns pontos que trago abaixo:

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), feita pelo IBGE com dados de 2013, o analfabetismo ainda afetava 8,3% da população (ou 13 milhões de pessoas). Além disso, 17,8% dos brasileiros ainda eram classificados como analfabetos funcionais.

No entanto, o Instituto Paulo Montenegro, organização vinculada ao IBOPE, estimou que cerca de 27% dos brasileiros eram analfabetos funcionais em 2012. Três entre cada dez brasileiros têm limitação para ler, interpretar textos, identificar ironia e fazer operações matemáticas em situações da vida cotidiana – e, por isso, são considerados analfabetos funcionais.

Eles hoje representam praticamente 30% da população entre 15 e 64 anos, mas o grupo já foi bem maior: em 2001, chegou a 39%, de acordo o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf). Fonte: BBC

Analfabetismo Funcional no contexto das redes sociais

De acordo com o mesmo indicador, entre os analfabetos funcionais, 12% enviam mensagens escritas e escrevem comentários em publicações do Facebook, 14% leem mensagens escritas e 13% curtem publicações.

Para efeito de comparação, entre os que têm nível de alfabetização proficiente, 44% enviam mensagens escritas, 43% escrevem comentários em publicações, 47% leem mensagens escritas e curtem publicações.

Enquanto 92% dos analfabetos funcionais enviam mensagens escritas, o índice é de 99% entre os alfabetizados; 84% dos analfabetos funcionais compartilham textos que outros usuários enviaram, já 82% dos alfabetizados fazem isso.

Sugestão de tarefa

A partir deste recorte, busque problematizar as consequências dessa situação para o crescimento e desenvolvimento da educação no país. O que isso gera? Quais os reflexos sociais? Qual o efeito sobre esses indivíduos? 

Outros dados sobre a realidade da educação no Brasil

Fonte imagem: pexels.com

Quase 4 em cada 10 jovens de 19 anos não concluíram o ensino médio, aponta levantamento. (Fonte: G1.com)

Quase quatro (36,5%) em cada dez brasileiros de 19 anos não concluíram o ensino médio em 2018, idade considerada ideal para esta etapa de ensino. Entre eles, 62% não frequentam mais a escola e 55% pararam de estudar ainda no ensino fundamental.

De acordo com Olavo Nogueira Filho, diretor de políticas educacionais do Todos pela Educação,

“Falta muito para avançarmos e há um desafio para a educação básica como um todo. Muitos jovens estão fora da escola ou não se formam por causa da qualidade do ensino. Temos altos índices de reprovação e evasão escolar. Se o aluno avança de etapa sem uma base sólida e chega no ensino médio com déficit, ele é quase induzido a sair do sistema [de ensino]”.

Agora querido estudante, faça uma reflexão:

Em sua análise, qual seria uma solução para isso? De que forma é possível pensar em inovação e criatividade para reverter essa situação? Você conhece alguma iniciativa de destaque?

Uau, depois desse super texto da professora Sabrina, há muito o que pensar, não é mesmo?!

Faça as reflexões e pesquisas sugeridas por ela e esteja ainda mais preparado para o Enem 2019.

Até breve e bons estudos!

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